Fraquezas



Porque será que quando tenho pesadelos todos os caminhos são escuros, frios, ando perdida, o inóspito assusta-me e por mais que chame ninguém me socorre... Dizem que sonhamos o que recalcamos profundamente como uma defesa do género aquilo que não conheço não me atemoriza. Mas é precisamente o que não conheço que me faz medo. Estranha forma de sentir, estranha forma de esconder as minhas fraquezas... Pensava eu que era mulher valente, até enfrentar os caminhos que escondo.

deus(em minúsculas para não ferir)


Há dias em que só apetece fazer o proibido, o transgressível, passar o fio da lâmina para a imaginação do corte, saltar para o abismo, experimentar venenos e desafiar a lei da vida. Tudo parece certo no lado errado. Tudo parece viver-se no arrojado e perigoso. Porque a vida é madrasta tantas vezes e apetece ser deus por um dia que seja. A mim, apetece-me.

Ser e não se Ser



Ser o que não se é. Gostar de ser o que não se é, o que nunca se poderá ser. Querer ser o outro. Aquele que nunca se será. Sonhar com outro quando o outro é o eu. O eu é o outro, o mais verdadeiro, porém o inexistente. Viver por outro. Viver com a pele a tapar outro. Esconder sob a pele o verdadeiro outro. Que dor não deve ser!

Open mind

Espaço aberto. Nada a estorvar os olhos. Só um quadrado, dos vértices que unem paredes faço outros planos para subir outros cómodos. Empurro e varro lembranças do que foi e ao que serviu. Agora limpo de arestas poderá ser moldura ao meu feitio. A tela transforma-se nas cores que aguam salivares do apetecer. Hoje apetece-me azul. Azul da cor do imenso.

Camélias


Gosto de flores. Não por ser mulher e lhes ser apanágio gostarem, mas porque as vejo como a coisa mais chegada ao conceito de perfeição. Desde a estrutura até ao maravilhoso da cor tudo me enleva. Recebo uma única flor como o mais rico presente, predilecção para as camélias e por favor, nada de analogias com a sinalética da Dama. São parecidas com veludo e com carne e nos dias que correm têm o beneficio de não ter de se fingir aspirar-lhes o aroma como às de seu género: é que não têm perfume algum. E eu não sei fingir.

Dependências



Apeteceu-me testar, a mim mesma, sem nada de imposições exteriores ou outros factos de força maior que me levassem ao afastamento obrigado. Não estive doente, não viajei, não perdi o gosto ao meu blog. Testar-me: Até quanto do que aqui escrevo me é importante, me é prazeiroso, se torna rotina.Várias conclusões. Nem sempre belas, poéticas. A verdade é que gosto do meu blog, gosto do que escrevo, apetece-me construí-lo independente de modas e rumos, comentários deixados, talvez um narizinho torcido às fotos mais ousadas, gosto dos espaços negros onde consigo imaginar o que eu quiser. Gosto. Não estou viciada mas penso nisto, no que vou escrever, no que me impressiona durante o dia e quero dar-lhe luz à noite quando aqui chego. Faz-me bem. Isto é dependência?