Limpar a sala

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Tenho vindo a reparar que os portugueses e as portuguesas estão cada vez mais higiénicos, mais aplicados na dificil arte de vasculhar os recônditos orificios das fossas nasais. Não fora já de si o acto ser nojento mas necessário, aprimoram-se em praticá-lo na via publica e por dá cá aquela palha. Ou seja, mesmo a trocarem meia-dúzia de palavras no quiosque enquanto compram o desportivo, enfiam o fura-bolos e vai de limpar o salão até ao cérebro en ângulos mais ou menos perigosos que os afastam da realidade e os aproximam de uma concentração até ao tutano que só se alivia quando o macaco é extraído na ponta do digito e de perto analisado. Sinceramente, não sei de onde vem esta moda, mas ao pesquisar on line, apercebi-me que está a alastrar pela Europa (vide imagem no topo) e ao que parece pelas melhores casas reais. No entanto e como já tenho referido bastas vezes, eu sou do contra e a única coisa que se me oferece é dizer porco e estender um lencinho de papel.

 

A uns quantos

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A queimar os últimos cartuchos (como passou depressa este mês!) e sem motivação alguma para retomar os velhos hábitos que irão acompanhar-me por mais onze meses seguidos, escrevo nostalgicamente e recordo, a primeira semana de férias, em viagem. E constato, que esse sonho levado a cabo, foi tão maravilhoso quanto redutor, pois o que gastei confinou-me pelo resto do tempo ao chamado passeio dos tristes. É assim que vai a nossa economia, a nossa bela Troika. Não devía ser assim. Viajar não é deitar dinheiro pela janela fora, é alimentarmos a nossa cultura individual, alargar horizontes, partilhar experiências, levarmos o nome luso para fora de fronteiras. Não choro o dinheiro gasto. Lamento são as poucas das vezes que o faço e a oportunidade estar reservada apenas a uns quantos eleitos (certamente troikanos).

 

É mesmo!!!

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De verdade. Nada de estar quase, mesmo à porta, faltar uns dias. Estou oficialmente de férias. De perna à rã, os ovos debaixo dos braços, o dolce fare niente, o ripanço, a sornice, o come-e-dorme e mais uns seiscentos e muitos epítetos designativos relativos ao merecido período entre dois, que se apelidam o trabalho escravo e o regresso ao degredo. Mas até lá, ou melhor, entre eles, as férias, as minhas merecidas férias. E para já, um voo alto e muito desejado. See ya soon!
 
 

Porque ele há dias

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Em que acordar com o pé esquerdo parece ser ter os dois direitos prontos para tropeçar. E não conseguir aguentar o desiquilíbrio e cair mesmo. Esfolar as sandálias favoritas. E os joelhos. E romper as calças de seda. Voltar a casa e recomeçar. Chegar tarde ao serviço quando se tinha uma reunião marcada. Todo o dia entrar em défice e sem recuperação possível, apesar de ter almoçado à secretária uma comida imprestável e que me causou uma azia que se prolongou pela noite fora. Receber um convite para saír e ter de o recusar, por causa de trabalho. Há mais de um mês que o esperava (Deve achar que me estou a armar em dificil). Regressar, finalmente! a casa e ter um furo. Chamei a assistência. O serviço é pago. Por isso, choro. E como uns bombons. Não posso fazer mais nada.

 

Rorschach

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Ainda desajeitadamente recomposta da nostalgia que me atingiu nos últimos dias, fui esbofeteada pelo palreado sem filtro, cujas perguntas e respostas, já conheço de cor e salteado, mas que neste dia não estou de feição para apanhar com ele. Pelos vistos, os outros também não. Pois à costumada pergunta foste à manif, não te vi na manif, a que eu respondi, estava lá de braço dado com a tua avozinha, foram dados dois passos atrás, a cara engelhou-se, e o comentário de eu ter dormido com os pés de fora, ainda veio de borla. À semelhança do que a segurança rodoviária impõe, quanto ao controle dos seus funcionários que andam na estrada, a nível de registos alcoolométricos e de toxicidade, também as empresa deveríam ter um apertado circuito para os seus colaboradores que estão expostos durante um largo periodo de tempo à luz artificial. É que só pode ser isso! Como se explica que esta gente funcione com o cérebro de uma ave?! Deveríam ser sujeitos a exames periódicos de controle para verificação das suas funções psiquicas!
 
 

Sem fronteiras

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Não, não vou falar do nosso 1º de Maio, nem de outros 1ºs que já passaram que foram melhores e mais sentidos. Também não vou falar do de outros sitios onde ainda se comemora o verdadeiro espirito, porque não me lembro de nenhum. Apetece-me antes, num retorno saudosista e porque nos últimos dias revi algumas películas intemporais, mencionar que aquilo que é bom sempre fica. Independentemente das mudanças, dos politicos, da humanidade, da modernidade, da correria e da falta de tempo que todos temos, ele há coisas que ultrapassam qualquer fronteira e se mantêm jovialmente belas e actuais. É assim que quero o meu 1º de Maio este ano. Como uma fita a preto e branco de François Truffaut, a beleza de Deneuve, a irreverência de Depardieu. Para não ter de lastimar.