Achtung!


À força de me chamarem do contra, veneninho, mau-feitio, torta, torcida e outros mimos que me dão cabo do fígado, sou bem capaz de me tornar na lenda que de mim fazem. Eu explico: Passo a encharcar-vos o correio electrónico de mails com totens da sorte e do azar, orações; Copio-vos o tailleur de mau corte e prego-lhe uma etiqueta DKNY; Faço reparo às raízes escuras que vos electrizam o louro-palha; Como éclairs, babás au rhum, garibaldis e russos e digo que não engordo um gr.; Lanço a suspeita sobre a identidade da nova favorita do Director. Era engraçado observar o vosso bom feitio. Atenção onde põem os pés! Parece que só eu tenho o mundo ao contrário...

Fins


Coisas que não têm ligação alguma entre si se eu não existisse e as sentisse de igual forma, penosa, embora o tempo as seccione na importância atribuída então.
Extinção por falta de lucros do perfume Havana de Aramis.
Extinção por falência do Ballet Gulbenkian.
Desactivação do Tribunal da Boa-Hora na R. Nova do Almada, ao fundo.
São dores minhas, apenas isso.

Assistida*

*Este post não é aconselhável a pessoas sensíveis



A morte. A vida. A vida é de quem a vive. E a morte? Haverá dignidade maior do que aquele que se gastou, dispôr antes do fecho do capítulo, do que se seguirá? Foi comandante até à prisão no corpo, no sofrimento, na chaga. Não lhe compete a ele saber e decidir que é o último a abandonar a nau, seja no cortar dos cabos, seja no afundar para que os piratas não o vandalizem mais? Morte assistida e morte por eutanásia. Decidir, escrever e reconhecer perante o estado as suas vontades intimas. E que mais? Que mais se pede a quem não tem mais?

Água&Sabão


É incrível como nos tempos actuais ainda nos chegam informações sobre sitios do nosso Portugal profundo que não dispõem de condições básicas de saneamento. Não há canalizações, esgotos, uma mão sobre a torneira que a faça jorrar. Simplesmente porque a torneira se limitaría a um objecto de decoração. Mas na cidade? O que faz destes homens e mulheres de barba por desfazer, cabelo empastado, hálito de acetona, volumes ambulantes de ácidos, fluidos, suores?Eu cheiro-os, é-me inevitável, sou dotada de olfacto e por sinal bem desperto! Por isso, meus senhores, minhas senhoras: Não me olham com ar de que sou nojentinha, enjoadinha, esquisitinha porque sou mesmo! Basta água e sabão______________ only soap&water guys!

Fantasias


Não sou uma mulher violenta e abomino tal tipo de analfabetismo. Mas já dei comigo, irritadíssima, contrariada e a transformar-me numa fera. Literalmente. Com dentes afiados e garras para estraçalhar quem me perturba, pronta para o salto no pescoço da minha "vitima" a fim de a calar de vez. Geralmente deixo de ouvir o que se passa à minha volta e só quando recupero a minha figura humanizada dentro da cabeça é que tomo consciência dos malefícios da minha fértil imaginação. Engraçado... Ultimamente isto tem sido recorrente, de cada vez que vejo o nosso primeiro...

Da condição humana


Se há coisa que me altere em definitivo, é a suspeita. E no seguimento desta, a intriga, a boatice, as mentiras. Surgem como um rastilho que se alumía e no tempo de um pensamento tornam-se verdades instaladas como dinamite. Mesmo que se desminta, que se comprove o infundado do diz-que-disse, permanece sempre a lembrança do um dia ouvi dizer que ela/ele eram/tinham feito. Afinal, somos tão singulares, desenvolvidos e damo-nos a esta pequenez, predicado exclusivo do ser pensante. É para isto que serve? É que me apetece mesmo chamar de quadrúpedes àqueles que o fazem. Bestas irracionais.(Lá está o meu mau feitio... nem fizeram por mal, tadinhos!)